Diferenças entre português do Brasil e de Portugal - Aprender português - Eu e meu professor

Marcel: Olá Pessoal! Tudo bem?
David: Olá! Tudo bem pessoal?
Marcel: Hoje eu “tô” aqui com um companheiro de trabalho, o David. O David é professor de português também. Se apresente!
David: Efectivamente. Eu chamo-me David. Eu sou espanhol mas sou professor de português para hispano falantes.
Marcel: Exato! No vídeo de hoje nós vamos falar sobre diferenças entre o português do Brasil e o português de Portugal. Até já!
David: Até já!
David: Queria perguntar ao Marcel, queria aproveitar que estou aqui no teu canal
para saber se tu também tinhas dificuldades, ou tens agora, em perceber o português europeu, ou…
Marcel: Eu, neste momento, eu não tenho… eu entendo 99,9% do português europeu porque eu também trabalho com Portugal
ou seja, não é só por isso. Mas eu reconheço que a primeira vez que eu escutei o português de Portugal, o primeiro contato, foi…
é… isso é português? (risadas) Isso é russo ou é português? (risadas)
David: Efectivamente. É certo que o sotaque é diferente.
Acho que também, para os estrangeiros que aprendemos português, o sotaque brasileiro é um bocadinho mais fácil porque as vogais são mais abertas
e penso que o português europeu, pronto, as sílabas tônicas marcam muito fortes e as átonas, aquelas que se marcam antes ou depois, às vezes não se ouvem.
Então muitas vezes acontece como na palavra “chocolate”, que na escrita é praticamente igual, mas praticamente “chocoLAT”
Marcel: E no Brasil seria “chocolaTCHI”. “ChocolaTCHI” vs “ChocoLAT”.
David: Acho que vocês abrem mais a boca e, se calhar, pronunciam um pouquinho mais devagar, e mais também com todas as vogais mais ou menos com a mesma duração.
O caso é que isso dificulta porque no português europeu, normalmente, percebem o sotaque do Brasil, acho que por um lado porque vê-se muitas novelas, os filmes, muita música.
E também acho que as vossas vogais já estão no português europeu e as do português europeu , que são mais fechadas, não estão no português brasileiro…
Marcel: não estão no português brasileiro.
David: Exatamente, tal e como acontece com o espanhol, neste caso.
Marcel: Com certeza, um pouquinho do que acontece com o espanhol da Espanha e da América Latina.
David: Dentro da língua, acho que também há tantas palavras que chegam a ser tão tão diferentes,
ou para além, se calhar, de algumas que já conhecemos…
Marcel: Com certeza! Por exemplo, uma que sempre me chama a atenção,
de fato, quando eu estive em Lisboa, é uma palavra que sempre me chamou a atenção,
que é o “AUTOCARRO”.
David: Ah! O “autocarro”.
Marcel: O “autocaRRo”, com sotaque português. E para mim é o “ÔNIBUS”,
ou seja, “autocarro” em Portugal e o “ônibus” (no Brasil). Sempre que eu escuto o “autocarro” eu imagino um carro dirigindo sozinho sem nenhum piloto. (risadas)
David: Exatamente. Eu por exemplo, uma palavra que acho que também na Hispano América igual, se calhar tem aí uma influência
é: “CELULAR”. O “celular” parece que não faz muito sentido.
Parece que “TELEMÓVEL”… como um telefone que pode ser móvel… né?
Parece que… por exemplo, o “ruim”… “muito ruim” ou “legal”…
Marcel: Legal… o “LEGAL” no Brasil, o “GIRO” ou “FIXE” em Portugal, isso também é muito interessante…
David: Por exemplo, em Portugal, há uma expressão muito dita, assim, na linguagem coloquial, é “bueda fixe”… é como “muito legal”… é “bueda fixe”…
Marcel: Essa eu não conhecia.
David: Por exemplo também, uma que é muito divertida, eu que estou sempre a trabalhar com o computador
e as vezes tenho que colocar “ecrã completo”…
Marcel: Ecrã… é outra palavra que eu conhecia. A primeira vez que eu escutei “ECRÔ na minha vida, eu falei: